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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 20 a 25 anos



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[E muita, muita saudade antecipada...]

Trinta dias.



 Escrito por Fabio às 21h11 [] [envie esta mensagem]



Requião 2006. Por que não?

Quem assistiu ao Canal Livre, da Band, neste domingo, e também estava absolutamente cético em relação à classe política brasileira, pôde dar força a uma pontinha de otimismo: Roberto Requião, do PMDB paranaense, comprovou todas as boas referências que, meio de longe, já tinha sobre ele.

O melhor governador do Brasil, que faz o Paraná remar contra maré da recessão e apresentar índices de crescimento econômico e aumento dos postos de trabalho no primeiro trimestre de 2004, não deixou pergunta sem resposta a Carlos Nascimento e Fernando Mitre. Trata-se da única grande liderança política brasileira em atividade no poder que não esconde suas posições favoráveis ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que combate a ganância dos latifundiários ou a recente "máfia dos pedágios" em seu estado e que, no aspecto econômico, se opõe fortemente à política conservadora de Palocci e Meirelles.

O melhor de tudo isso é que Requião não adota um discurso barato. É claro que há um interesse político de se viabilizar como contraponto ao governo Lula, mas é fácil constatar que no poder o peemedebista torna práticas suas idéias e reais seus valores ideológicos. Ele não é um caminho plenamente viável de oposição ao governo atual por simples birra ou interesse pelo Planalto (até porque, como disse reiteradas vezes na entrevista deste domingo, faz parte da base de apoio a Lula e ainda crê, coitado, que a esperança não foi derrotada pelo medo), mas por demonstrar, na fala e na ação, que dá pra gente acreditar em um Brasil que caminhe por outros rumos.

É verdade que Requião faz parte do partido mais fisiológico deste país, cujos representantes de maior impacto político são gente como Sarney, Temer, Quércia e Calheiros. Mas não ando lá dando muita bola pra esse negócio de partido político, sobretudo depois de um ano e quatro meses de governo do PT por essas bandas. Quero alguém que me represente, que sirva e atenda aos verdadeiros interesses da população, que questione e combata a política neoliberal de subserviência ao FMI, que não mude de comportamento após colocar a faixa no peito. E Requião não mudou, ao menos no Paraná.

Por mais que relute, o entrevistado do Canal Livre de ontem deve naturalmente ser uma das forças de oposição nas eleições de 2006. Pelo PSDB, teremos Serra, Jereissati, Alckmin, Aécio ou, pasmem, FHC; pelo PT, com a velha e desbotada estrela no peito, lá estará o Barbudo prometendo mudar de verdade em seu segundo mandato; pelo novo partido da esquerda expulsa do PT, alguma Heloísa Helena ou Babá surgirá pra dividir o meio ponto percentual de sempre com o eterno Zé Maria, do PSTU. Então, por que não Requião? Na pior das hipóteses, será mais uma decepção política pra um eleitor que ainda insiste em acreditar.

***

Além de firmeza e competência, o governador do Paraná esbanja bom humor. Não que simpatia seja quesito indispensável a um chefe de Estado - comenta-se, por exemplo, que George Walker Bush e Ariel Sharon também são muito bem-humorados -, mas quem não se diverte com as tiradas impagáveis do Hugo Chávez, por exemplo?

Na entrevista, Roberto Requião soltou várias delas. Quando a dupla Nascimento-Mitre se esbaldava nas críticas tendenciosas ao MST, lá pelas tantas, o entrevistado disparou: "Vou pedir um pai-de-santo aqui na Band, pra 'dessatanizar' o MST". Em uma discussão sobre os transgênicos, soltou essa: "Enquanto não ficar definitivamente comprovado que eles (os transgênicos) realmente não fazem mal algum, meu estado não vai usar essa 'porcaria'!".

Mas a melhor de todas estava reservada pro fim da entrevista, quando Carlos Nascimento citou as denúncias feitas pela Folha sobre parentes de Requião supostamente empregados no governo paranaense. Depois de negar veementemente a informação, o futuro presidenciável emendou: "O Frias (Otávio Frias Filho, diretor-editorial da 'Folha') deve estar bravo porque não tem nenhum parente dele no governo do Paraná".

 Escrito por Fabio às 18h01 [] [envie esta mensagem]